2010-11-10

Livro #9


Quando vêem que há algum tempo não escrevo sobre livros,  as pessoas perguntam-me o que se passa. Pois passa-se que os continuo a ler e que, ao lê-los, não tenho tempo de pensar e escrever sobre eles. É certo que este ano não tem produzido tanto como no ano anterior (no que à leitura concerne, claro) mas temos por exemplo este. Foi adquirido num sítio espectacular mas cuja identidade não vou revelar por se encontrar no estrangeiro e, como tal, sujeito a ameaça terrorista.
Although of course you end up becoming yourself não é mais do que uma longa conversa entre um escritor que faz de jornalista (o autor), e um génio que faz de escritor (David Foster Wallace). Fora isto, há momentos que são maus porque o autor é mau, e há momentos que são bons porque o David Foster Wallace é bom.
 E é isto que eu tenho a dizer sobre este livro. Obrigado.

Post muito rápido só para dar conhecimento de mudanças profundas nas nossas vidas

 O vosso enviado especial à Islândia - Eu - regressou revigorado pelas sucessivas sensações que resultam do contraste entre os aconchegantes 40ºC da Blue Lagoon e os simpáticos 0ºC de quase todo o resto do espaço territorial islandês. Com uma pele invejavelmente tocada pelo efeito lifting que cem mil anos de actividade vulcânica conferiram às massas de sílica, coiso e outros minerais que depositam no fundo daquela lagoa e cujo nome agora não me ocorre, o vosso enviado espcial trouxe com ele a sabedoria, a paciência e a serenidade necessárias ao alavancar do desenvolvimento económico do país, pelo que já começou por produzir riqueza e valor acrescentado.Trabalhamos.

Os problemas do país continuam por resolver (a Casa dos Segredos, o Eládio Clímaco e a Sport Tv) pelo que o melhor é ficarmos cá todos para não estragarmos o país dos outros.

Quanto ao resto, ainda não foi adquirido portátil de substituição o que impossibilita a regular actualização deste espaço, mas cá iremos tentar

Não vimos xilofones.

2010-10-07

Invite all of your neighbours!


Olhem eu ali no meio das famílias, em cima do telhado.

2010-09-23

Seyðisfjörður

cautelosamente roubado daqui 

 Um resumo muito pouco rigoroso deste épico período de privação poder-se-ia traduzir em:
- elevadas doses de desilusão provocadas pela vitória de um "sérvio" sobre um "suiço", numa competição vencida por um "espanhol";
- dezenas de quilómetros de "pôres-dos-sóis" ao volante de uma biciclete que circula pelas marginais desta vida, embora sem calção justo (acessório essencial à prática da modalidade, como pode comprovar qualquer pessoa que tenha andado mais de 3 km seguidos de bicicleta);
- vinte e três half-volley-amortie concretizados com sucesso;
- duas jovens adolescentes - mas com mais de 18 anos - cuja observação prolongada em transportes públicos terminou abruptamente com a revelação da capa do livro que tinham em sua posse (muitos vampyros, amores infinitos, códigos milenares indecifráveis, aquela travessia do Douro nos STCP é um tormento);
- trinta dias de privação de computador portátil próprio;
 - uma vitória na Liga dos Campeões;

...E cento e vinte uma direitas-ao-longo-de-fundo-de-court previamente condenadas ao fracasso.

Posto isto, não me ocorre mais nada para dizer. Remeto-vos uma vez mais, portanto, para a imagem acima disponibilizada.

2010-09-05

Boletim Informativo 05/Setembro

 O computador do portátil do autor deste espaço encontra-se em estado lastimável e sujeito a reparações. Retomaremos a emissão - assim que possível - com notícias interessantíssimas, fotografias de pin-ups dos anos 50 e  receitas de culinária da gastronomia islandesa. Por agora, dedicamos-nos ao certame de ténis que ocorre no momento.

2010-08-24

PLEC = Processo de Leitura em Curso

(uma usurpação em homenagem a Um Blog sobre Kleist)

a "edição especial" (no lado direito) está a ser a minha maratona de verão que já quase dura dois meses e em que já acompanhei e me foram descritos centenas de assassínios nos desertos, maquiladoras e lixeiras abandonadas dos bairros de santa teresa. faltam agora cerca de duzentas e cinquenta páginas. o outro vai - muito bonito porque tem o vital moreira na capa, quando em novo - vai-se lendo nos intervalos para refeições, cafés e outras coisas que nos permitem a nós, seres humanos com vinte e três anos que trabalham em hospitais, esquecer por um momento aquilo que realmente somos, "um indivíduo sem importância colectiva; nada mais".

2010-08-23

"American Splendor" - R.Pulcini & S.S.Berman (2003)

Os sentimentos que nutro por este filme estão ainda pouco definidos. No espaço de tempo que ocorreu desde o início do visionamento do filme até ao final do visionamento do filme, passou-se muita coisa, muito por culpa do falecimento, perda de consciência e convulsões epilépticas deste Asus A8JS que à custou para cima de 1600€ e que agora não valeria mais do que meio-Roberto (que à data da escrita deste post, está à taxa de conversão: 1 Roberto = 800€).

Isto traduziu-se, em tempo real, a cerca de uma semana em que as emoções, acompanhamento narrativo e a variável "estado de espírito" em relação ao filme, se diluiram até concentrações homeopáticas. O que resta, portanto, deste filme é a estranha identificação do espectador com o nível de deprimência da vida da personagem principal (Harvey Pekar), nesta altura em que coiso, sendo que temos em comum o facto de ambos trabalharmos em hospitais e ambos estarmos a maior parte do tempo sentados em frente a uma secretária, com papéis à volta.

 Posto isto, o filme não é nada de excepcional, o desempenho de Giamatti também não é nada de excepcional (muito pouco a ver com o 'carácter' do verdadeiro Pekar), e o que interessa aqui acaba por ser o tomar conhecimento da história do American Splendor e do seu criador, Harvey Pekar.

edit - naturalmente que o filme é todo catita, com especial relevo para os artifícios comic com que muitas das cenas são apresentadas.

E ao final da segunda jornada...

...mandei desactivar a SportTV.

(eu que até tenho carinho pelo jogador Roberto)

2010-08-07

No hospital...

Doente internado na ala psiquiátrica pede qualquer coisa à enfermeira
"Cigarros?" - pergunta ela.
Ele abana a cabeça, diz que não.
"- O livro...".
"Qual deles Sr. X? Tem aqui vários..." - responde a enfermeira.

Resposta, à patrão: "Aquilino Ribeiro, número 2".

2010-08-06

"(500) Days of Summer" - Marc Webb (2009)

Interessante feel good movie com excepção de:
- excesso de declaradas referências indie. (as referências a Belle & Sebastian, Smiths e outros, chegam a ser obscenas);
- filme acabar mal (perdoem-me o spoiler mas a vida não é suposto ser uma merda);
- a Autumn ser bem melhor que a Summer, como dizia um amigo meu.

2010-08-04

o melhor sítio do mundo para a aquisição de produtos de consumo

(de tal forma satisfeito que faço publicidade gratuita, chegando inclusivé a anunciar que dispôe de serviço de entrega gratuita para todo o mundo)

2010-08-03

"Before Sunrise" (1995) e "Before Sunset" (2004) - Richard Linklater

Andar de comboio em Noventa e Cinco.

 Shakespeare & Company em Dois Mil e Quatro.

O resto é tudo conversa, como o que em todos os outros Grandes Filmes interessa.
(menos o "Spring, Summer, Autumn, Winter...Spring" em que o que interessa é o sítio onde se está em silêncio. E se for preciso indicar os filmes e as conversas, eu indico.)

gravado ali para os lados de Búðir e Fljótslhíð

 Enquanto estou convencido que vou passar férias à Islândia:


 Canção de extrema candura. Reflecte a essência da chamada "pinta" islandesa: jovens-indivíduos-potenciais- personagens-de filme-indie, "wide selection of instruments" e miúdas giras.
 O ar de quem está perfeitamente feliz na paisagem que ocupa é mera coincidência. Apesar da potencial homossexualidade de alguns dos elementos (não reprimida, claro está), aquele falseto aos 2:23 é apenas a reacção natural à constatação de que se está no quarto melhor-sítio-do-mundo-para-se-estar.


Retro Stefson from Inspired By Iceland on Vimeo.

A banda com o melhor baixista-criança do mundo é tão boa que pode incluir um gajo que não sabe tocar nada mas que é amigo e portanto não podia ficar de fora: aquele jovem que chega a possuir , por  instantes, uma pandeireta na mão direita. Há ali uns restinhos de Mars Volta e o resto são uns putos com raízes angolanas a serem a mais genial campanha pró-imigração dos países nórdicos.

2010-07-18

Will it blend?

o meu novo entretenimento favorito:



é que vai mesmo tudo. E quando digo tudo, é mesmo tudo.
Gosto particularmente do nosso anfitrião - o bom velho Tom Dickson - por variadíssimos motivos:
1-  a calma que mantém enquanto segura com a mão um electrodoméstico onde ocorrem variadíssimos cataclismos equivalentes a 0,2 Big Bangs;
2- a alegria e a paixão com que faz a simples tarefa que lhe é atribuída;
3- a piada conclusiva da transformação de um belíssimo iPhone num singelo monte de partículas de tamanho nanométrico, e que muitas vezes não passa de uma retórica pergunta sobre se deverá colocar os restos do defunto no eBay.

Gosto.

Edit 1: «What happens when you put magnets in a Blendtec blender? Will it reverse the earth's polarity? Will it create a black hole? Will It Blend? We just couldn't leave these questions unanswered.»

No metro...

Travessia Trindade-Casa da Música: jovem visualmente bem disposta, morena, sem óculos escuros, carrega livro. O número de páginas é claramente superior a trezentas: palpitações, suores frios, projecções de futuro a dois e longas discussões sobre o infra-realismo ou os desvarios da meta-ficção norte-americana.

Um pequeno movimento de corpo permite ver que o nome do autor começa pela letra 'N'. Depois, que esse nome é 'Nicholas'. Por fim, a confirmação do fim de uma relação que nunca havia chegado sequer a principiar; as duas letras que compõem o início do apelido são o 'S' e o 'P'. Não consegui olhar mais.

A Volta à França

(a subida ao Tourmalet) 
Hoje começam os Pirinéus. Não há melhor declaração de"Ficar-em-Casa" do que isto.

Mandamento do Mês

Vale a pena ler a última edição da crónica do Pedro Mexia na LER ("Biblioteca Fútil") deste mês.

'Hopscotch' is the English translation for 'Rayuela'

« Which five books have marked your life?

 RB: In reality the five books are more like 5,000. I'll mention these only as the tip of the spear: Don Quixote by Cervantes, Moby Dick by Melville, the complete workd of Borges, Hopscotch by Cortázar, A Confederacy of Dunces by Toole. I should also cite Nadja by Breton, and the letters of Jacques Vaché. Anything Ubu by Jarry. Life: A User's Manual by Perec. The Castle and The Trial by Kafka. Aphorisms by Lichtenberg. The Tractatus by Wittgenstein. The Invention of Morel by Bioy Casares. The Satyricon by Petronius. The History of Rome by Tito Lívio. Pensées by Pascal.»

"Heima" - Sigur Ros (2007)

2010-07-11

Livro #8

«Considera-se um marginal?
Eu não me considero coisíssima nenhuma. Eu considero-me um gajo que está aqui sentado.(...)
(...)
Qual é, hoje, o seu maior prazer?
É o arroz de pato, uma vez por mês, mais ou menos. E bem feito! (...)
(...) 
 A televisão está a matar a literatura?
 (...) E depois com as boquinhas de peido da Catarina Furtado, são palhaços! E as gargalhadas dão-me cabo da cabeça. Riem-se de nada, então naqueles filmes que têm gargalhadas por detrás, supõem que rimos por eco. Isto é que dá cabo da literatura? Nunca!
Mensagem para as novas gerações?
Puta que os pariu!»

 Livro que, na contracapa, conta com a seguinte citação:
«Está para sair um livro com entrevistas suas...
Esse livro é uma merda! Isso é uma aldrabice. É bom para andar por essas pequenas editoras.»

Jökulsárlón

 

"Saraband" - Ingmar Bergman (2003)

«O ecrã fundo em negro. O filme acabou.
4. Eu não consigo acabar sem vos fazer uma pergunta. Alguma vez pensaram que o grande plano é a única figura da gramática do cinema que só no cinema existe e que não é concebível em qualquer outra arte? Pintores pintaram grandes planos, mas o quadro impede-nos de os ver como tal, a não ser que encostemos a cara à tela, em movimento nosso e não da pintura. Não é maneira de a ver, não é movimento suposto ao espectador.
Mas a câmara pode o que o nosso olhar não pode. E a câmara de Bergman pode mais que qualquer outra câmara, mesmo a de Griffith. Neste filme, vai ainda mais longe. Ao acercar-se mais e mais dos quatro rostos e das quatro vozes, para além dos corpos, dá-nos a ver almas. Impossível? Não para esse génio de todos os possíveis, chamado Ingmar Bergman.»
21-1-2005, por João Bénard da Costa 
(ou ainda por Eduardo Prado Coelho)

E eu acrescento que Saraband é um dos filmes mais "simples" e mais "belos" que já tive oportunidade de ver. O trabalho de actriz de Liv Ullman nos grandes planos captados por Ingmar Bergman comove de tão sublime.
Acaba o filme e queremos imediatamente as sonatas de Bach, o pó dos livros, o ruído da madeira a ranger, a vista sobre o lago em Orsa, por entre os bosques... E nós agradecemos. Nós, agradecemos.

2010-07-10

2010-07-06

2010-07-03

O meu Mundial acaba aqui

 A derrota da Argentina por 4 a 0 dá por terminado o estado de romantismo futebolo-utópico a que me entreguei desde o primeiro minuto daquele Uruguai-França. A crença de que a mais bonita das histórias se faz com jogadores que correm e driblam com o coração acaba afundada por uma Alemanha que joga muito à bola mas que deveria ter sido vencida no último dos minutos, pelo ultimate dos jogadores: Leonel Messi.
 Portugal, Argentina, Grécia, Uruguai e Chile eram as equipas pelas quais torcia, mas nada haveria de mais bonito do que ver o livro dos futebóis escrito por Maradona a levantar o troféu 24 anos depois. 

Não se fez poesia.

Dito isto, agora quero um Holanda-Espanha na final para que seja um grande espectáculo de técnica, e que ganhe a Holanda para que seja finalmente reposta a Ordem no Universo. (estado que deveria ser assegurado por Son Goku e seus amigos, mas que incompreensivelmente ainda deixam Cruyff à espera)

"Capitalism: a love story" - Michael Moore (2009)


Desta vez não passa de um documentário inócuo e feito apressadamente para aproveitar a onda da "Crise". Inócuo quando comparado ao Sicko ou Bowling for Columbine.

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